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Aporte ou armadilha? Empréstimo bilionário de Textor acende alerta máximo no Botafogo

Na noite da última sexta-feira (6), John Textor anunciou o que parecia ser a solução definitiva para os problemas financeiros do Botafogo: o fim do transfer ban e a chegada de um grande aporte. Mas, nos bastidores da SAF, o discurso é bem menos otimista. O que o controlador chama de “investimento” está sendo tratado internamente como um empréstimo de altíssimo risco, capaz de comprometer o futuro do clube.

O acordo prevê a entrada de US$ 50 milhões (cerca de R$ 264 milhões), em duas parcelas. O problema está no custo do dinheiro. Segundo informações do O Globo, os juros são tão elevados que praticamente transformam a operação em uma bomba-relógio financeira.

Pelo contrato, a dívida dobra a cada quatro meses, o que equivale a uma taxa próxima de 700% ao ano. Na prática, os US$ 50 milhões iniciais virariam US$ 100 milhões em quatro meses, US$ 200 milhões em oito e atingiriam a cifra surreal de US$ 400 milhões em apenas um ano, algo em torno de R$ 2,1 bilhões na cotação atual. Um número que, para o mercado, já indica a precificação de um possível calote.

Jogadores como garantia e crise interna

Outro ponto que causou forte resistência dentro da SAF foi a cláusula de garantia. Caso o Botafogo não consiga honrar o pagamento, a venda de jogadores entra automaticamente como salvaguarda dos investidores, antigos parceiros de Textor na FuboTV.

Para parte da diretoria, negociar atletas faz parte do modelo de clube-empresa. Para outro grupo, isso representa uma ameaça direta ao projeto esportivo, colocando o elenco como refém de uma dívida impagável.

Esse choque de visões ajudou a provocar um terremoto nos bastidores. A saída de Thairo Arruda, CEO da SAF desde 2022 e homem de confiança de Textor, foi consequência direta do impasse. Ele se posicionou contra os termos do empréstimo, e a relação, antes sólida, desmoronou diante da matemática implacável do acordo.

Investidores ou apenas credores?

Textor chegou a sinalizar publicamente que os investidores poderiam se tornar sócios no futuro, com ele abrindo mão de parte de seus 90% da SAF. No entanto, fontes internas são categóricas: isso não está no contrato. Não há promessa, não há gatilho, não há garantia.

Por ora, os parceiros são apenas credores com cláusulas duríssimas, e o Botafogo, um clube que trocou um problema imediato por uma dívida que pode se tornar histórica.

O transfer ban caiu, mas o preço pode ser alto demais.

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