Quase um ano depois de deixar o comando da Seleção Brasileira, Dorival Júnior voltou a falar abertamente sobre um dos episódios mais turbulentos de sua carreira. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (4), agora como técnico do Corinthians, o treinador afirmou que não guarda mágoas, mas admitiu que o processo de demissão deixou marcas profundas.
“Nunca existiu mágoa. Mas gerou desconfiança até em relação ao meu trabalho, pois as críticas foram muito pesadas.”
Segundo Dorival, o que mais o incomodou não foi a saída em si, mas a forma como seu trabalho foi tratado publicamente.
“Desconstruíram uma carreira inteira. Ninguém queima etapas no futebol, mas percebi uma impaciência generalizada, para não usar outros termos que me causaram uma situação muito desconfortável.”
Dorival x Ancelotti: números semelhantes, julgamentos diferentes
Um dos pontos mais sensíveis levantados pelo treinador foi a comparação direta com Carlo Ancelotti, seu sucessor no cargo. Dorival destacou que, estatisticamente, os desempenhos foram muito parecidos, mas a avaliação pública foi completamente diferente.
“Hoje, nossos resultados são muito próximos do professor Ancelotti. Percentual praticamente igual. Mas o entendimento do trabalho feito naquele momento foi visto muito mal. É isso que eu lamento.”
Para ele, a narrativa criada em torno de sua passagem gerou uma desconfiança injusta, ignorando números e contexto.
“Na Copa, eu sei o caminho”
Dorival também garantiu que, se tivesse seguido no cargo, a Seleção chegaria mais forte e madura à Copa do Mundo. Segundo o treinador, o processo de construção estava em andamento, apesar das turbulências nos bastidores da CBF.
“Não tenho dúvida que faríamos um trabalho visando a Copa que daria resultado. Chegaríamos em crescimento, em um processo que todos precisam passar.”
Ele ainda lembrou que os bons resultados obtidos não foram contra seleções frágeis, reforçando que havia consistência no desempenho.
“A prova dos resultados que temos aí não era com equipes favoritas.”
E concluiu com convicção:
“Mesmo entendendo o momento difícil da CBF e o ambiente não totalmente favorável, nós tínhamos segurança do que poderia acontecer. No mata-mata de uma Copa, eu sei o caminho.”




