O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu, nesta quinta-feira (13), absolver Bruno Henrique da acusação de ter recebido um cartão amarelo de forma proposital para beneficiar apostadores. Em sessão apertada, o Pleno votou por 5 a 3 para derrubar a suspensão de 12 jogos que havia sido aplicada ao atacante do Flamengo.
Agora, o camisa 27 cumprirá apenas uma multa de R$ 100 mil.
A decisão traz alívio ao clube carioca: Bruno Henrique está liberado para os últimos seis jogos do Campeonato Brasileiro. Internamente, havia grande temor de que uma condenação o tirasse justamente da parte decisiva da competição.
Como foi o julgamento
A acusação inicial enquadrava Bruno Henrique no artigo 243-A do CBJD, que fala em atuar de forma contrária à ética desportiva. A Procuradoria queria um enquadramento ainda mais grave, no artigo 243, que prevê punição por atuar deliberadamente para prejudicar a própria equipe mediante vantagem indevida.
No entanto, a maioria dos auditores votou por enquadrar o jogador no artigo 191, III, infração por deixar de cumprir regulamento específico da competição, pena bem mais branda.
Resultado dos votos
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Multa de R$ 100 mil (art. 191): Sérgio Furtado Coelho Filho (relator), Marco Aurélio Choy, Rodrigo Aiache, Antonieta Silva Pinto, Marcelo Bellizze, Luís Otávio Veríssimo Teixeira (presidente)
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270 dias + multa de R$ 75 mil (art. 243): Maxwell Borges Vieira, Mariana Barreiras
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12 partidas (art. 243-A): Luiz Felipe Bulus
Vitória incontestável do voto pela multa simples: 6 votos a favor, incluindo o do presidente.
O caso: cartão, investigação e indiciamento
O episódio que originou a acusação ocorreu em 1º de novembro de 2023, na derrota do Flamengo por 2 a 1 para o Santos, no Mané Garrincha. Bruno Henrique levou um cartão amarelo e, pouco depois, um vermelho nos acréscimos da partida.
Em novembro de 2024, o jogador passou a ser alvo de investigação da Polícia Federal e do Ministério Público do Rio de Janeiro. Em abril de 2025, foi indiciado por fraude e estelionato, crimes que podem resultar em até 11 anos de prisão somados.
Segundo as investigações, o irmão do atacante, Wander Nunes Júnior, sabia previamente que Bruno Henrique receberia o cartão amarelo e apostou no lance, repassando a informação a terceiros. Outros parentes do jogador também teriam participado.
E agora?
Com a absolvição no STJD, Bruno Henrique volta a trabalhar normalmente com o grupo e está à disposição de Filipe Luís na reta final do Brasileirão.




