A disputa financeira entre Vitória e Portuguesa ganhou um novo capítulo. A SAF do clube paulista contestou as declarações do presidente rubro-negro, Fábio Mota, sobre débitos entre as equipes e afirmou que o Leão ainda deve R$ 2,279 milhões pela contratação do atacante Renê.
O Vitória comprou 50% dos direitos econômicos do jogador por aproximadamente R$ 5,8 milhões, o equivalente a 1 milhão de euros. Segundo a Portuguesa, parte dos pagamentos previstos no acordo está atrasada, e o clube baiano foi acionado para regularizar a situação.
Clubes divergem sobre compensação de dívidas
Fábio Mota afirmou que a Portuguesa também possui uma pendência financeira com o Vitória, referente à negociação do meia Daniel Júnior. De acordo com o dirigente rubro-negro, o débito seria de aproximadamente R$ 1 milhão e poderia ser utilizado para compensar parte da dívida relacionada a Renê.
“Estamos tentando chegar a um acordo nessa linha. Ninguém está pagando o Vitória, mas não tem como o Vitória deixar de pagar”, declarou o presidente na segunda-feira (19).
A versão da Portuguesa, porém, é diferente. A diretoria da Lusa afirma que não existem parcelas vencidas pela contratação de Daniel Júnior e sustenta que uma pendência anterior foi resolvida por meio de um abatimento de R$ 625 mil em uma parcela de R$ 904 mil que o Vitória deve pagar por Renê em 1º de novembro.
Segundo o clube paulista, os pagamentos restantes referentes a Daniel Júnior, de R$ 125 mil por parcela, seguem o cronograma estabelecido, com vencimentos previstos entre novembro de 2026 e abril de 2027.
Portuguesa aciona agência reguladora
A SAF da Portuguesa informou que notificou extrajudicialmente o Vitória em 2 de outubro. Após um novo descumprimento, o clube paulista acionou, em 14 de outubro, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF).
A diretoria também contestou a justificativa de Fábio Mota de que a crise financeira do Vitória teria sido agravada pelas restrições às casas de apostas esportivas. Segundo a Lusa, a inadimplência começou em 1º de setembro, antes da manifestação pública do presidente rubro-negro sobre o tema, em 25 de setembro.
A Portuguesa ainda afirmou que não recebeu uma nova proposta formal do Vitória para renegociar o pagamento.
Lusa pede que Renê seja impedido de jogar
Entre as medidas solicitadas à agência reguladora, a Portuguesa defende que Renê seja impedido de entrar em campo enquanto os débitos não forem quitados. O clube argumenta que a iniciativa contribuiria para fortalecer o fair play financeiro no futebol brasileiro.
Em nota, a SAF afirmou que a medida teria caráter educativo e ajudaria a garantir que as equipes assumam compromissos compatíveis com suas condições financeiras e cumpram as obrigações contratuais.
Fábio Mota, por sua vez, minimizou a possibilidade de o atacante ser impedido de atuar e disse que o Vitória não havia sido notificado sobre a solicitação.
“Não existe. Se fosse assim, metade dos jogadores de três ou quatro equipes não estariam em campo. Não tem respaldo legal para o jogador não jogar. Deveria ter, mas não tem”, afirmou o dirigente.
Renê desfalca o Vitória contra o Athletico-PR
Independentemente da disputa financeira, Renê já está fora do próximo compromisso do Vitória. O atacante cumpre suspensão pelo acúmulo de cartões amarelos e não enfrenta o Athletico-PR neste sábado (24), às 16h30, no Barradão, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Enquanto os clubes divergem sobre os valores e as condições de pagamento, a cobrança da Portuguesa segue em discussão, sem uma solução definitiva anunciada pelas partes.




