A demissão de Fernando Diniz, confirmada na noite de quarta-feira (7), foi o fim de um processo que já vinha desgastando o Corinthians havia semanas. O treinador deixou o clube depois da derrota por 2 a 1 para o Internacional, no Beira-Rio, a sétima seguida no Brasileirão, que deixou o time na 16ª colocação, a apenas um ponto da zona de rebaixamento. Junto com ele, toda a comissão técnica foi desligada.
Um início promissor que não se sustentou
O começo do trabalho nada tinha de crise. Diniz estreou com vitória sobre o Platense e emendou uma sequência de sete jogos sem perder, o que alimentou a ideia de que o Corinthians havia encontrado um caminho. A virada de chave veio depois da Copa do Mundo de 2026: o time perdeu rendimento, passou a acumular derrotas e viu o trabalho, nas palavras do próprio executivo Marcelo Paz, ser colocado em risco por uma sequência de resultados ruins.
O golpe seguinte foi esportivo. O Corinthians foi eliminado pelo Estudiantes nas quartas de final da Libertadores, depois de empatar por 1 a 1 na Argentina e perder por 1 a 0 no jogo de volta. Sem a competição continental e sem reação no Brasileirão, o ambiente passou a se deteriorar rapidamente.
A demissão que quase aconteceu em setembro
O momento mais revelador dos bastidores foi a derrota por 3 a 1 para o Fluminense, em 20 de setembro, na Neo Química Arena. Segundo a apuração da imprensa, a diretoria havia decidido demitir o treinador durante a Data Fifa, e Diniz chegou a ser informado de que a troca aconteceria. A decisão, no entanto, foi revertida depois que lideranças do elenco foram à direção pedir a permanência do técnico. Paz confirmou o episódio publicamente, disse que o clube decidiu manter o trabalho e afirmou que o grupo confiava em Diniz.
A queda de braço, porém, só adiou o desfecho. Com o resultado ruim contra o Inter após 17 dias de pausa para a Superdata Fifa, a diretoria concluiu que não havia mais como sustentar a situação.
O discurso de Marcelo Paz
Depois da demissão, o executivo foi direto ao explicar a decisão: a diretoria entendeu que era preciso buscar um “fato novo” para tentar reagir no campeonato. Paz fez questão de dividir a responsabilidade e disse não considerar justo que a culpa recaísse apenas sobre Diniz e a comissão técnica. Ele agradeceu ao treinador, chamou-o de grande pessoa e admitiu estar vivendo um momento de muita dor com a saída.
Os números da passagem
Em cerca de seis meses, Diniz comandou o Corinthians em 33 jogos, com 13 vitórias, oito empates e 12 derrotas, aproveitamento de 47%. O time marcou 36 gols e sofreu 32. Com a saída, o Corinthians passa a buscar o 20º treinador desde 2016, num ciclo marcado por trocas constantes no banco de reservas. Diniz foi também o 19º técnico demitido no Brasileirão.
E agora
A busca por um substituto já começou, com Ramón Díaz como plano A da diretoria e Luis Zubeldía sondado, e o clássico contra o Palmeiras, no domingo (11), no Nubank Parque, no horizonte. O Corinthians chega a ele pressionado pela tabela e pela necessidade urgente de reagir antes que a briga contra o rebaixamento fique ainda mais perigosa.




