O Corinthians foi notificado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) após deixar de pagar quatro parcelas consecutivas de um acordo tributário firmado com a União em fevereiro deste ano. Com os atrasos de junho, julho, agosto e setembro, o clube já soma mais de R$ 27 milhões em valores pendentes.
O que previa o acordo
A transação tributária reduziu a dívida fiscal do Corinthians de R$ 1,2 bilhão para R$ 679 milhões, com desconto de 46,6% sobre encargos, multas e juros — abatimento de cerca de R$ 217,4 milhões. O acordo reúne débitos acumulados ao longo de cerca de 20 anos, sendo aproximadamente R$ 1 bilhão em tributos não previdenciários, R$ 200 milhões ligados à Previdência Social e R$ 15 milhões referentes ao FGTS. A parcela não previdenciária foi dividida em 120 prestações de R$ 4,8 milhões, e a previdenciária, em 60 parcelas de cerca de R$ 2 milhões, ambas corrigidas pela taxa Selic. O Corinthians havia pago em dia as quatro primeiras prestações, entre fevereiro e maio.
O risco de perder o benefício
O contrato prevê a possibilidade de rescisão em caso de três parcelas em atraso, consecutivas ou alternadas — condição que o Corinthians já havia atingido mesmo antes de deixar de pagar a prestação de setembro. Caso o acordo seja cancelado, a dívida volta ao valor original, sem os descontos concedidos, com abatimento apenas dos valores já quitados, e o clube ficaria impedido de firmar nova transação tributária com a União por dois anos, mesmo para débitos distintos do atual.
Como o clube tenta contornar a situação
Segundo apurado pela imprensa, a diretoria do Corinthians negocia com a União uma saída para o impasse, incluindo conversas que envolvem os naming rights da Neo Química Arena e outras propriedades comerciais do clube como possível garantia. Enquanto as tratativas avançam, a Fazenda Nacional teria aceitado adiar a cobrança da parcela mais recente, evitando, por ora, a rescisão formal do acordo.
Parte de um cenário financeiro mais amplo
O Corinthians registra dívida total estimada em R$ 2,8 bilhões e fechou o primeiro semestre de 2026 com prejuízo de cerca de R$ 250 milhões. A negociação com a União também já havia sido citada como um dos pontos de pressão sobre a gestão do presidente Osmar Stabile, alvo de pedidos de impeachment e de uma denúncia do Ministério Público em outra frente, relacionada a contratos de segurança do clube.




