A Premier League anunciou oficialmente, nesta terça-feira (29), que o Manchester City foi considerado culpado por uma comissão independente em 114 das 115 acusações de violação das regras financeiras da liga, cometidas ao longo de nove temporadas, entre 2009/10 e 2017/18. O caso teve origem em investigação aberta em fevereiro de 2023, após quatro anos de apuração.
Como funcionava o esquema
Segundo a comissão, o City usou contratos considerados fictícios com parceiros comerciais, que não refletiam os acordos reais firmados entre as partes, para inflar artificialmente receitas e reduzir custos de forma ilícita. O mecanismo teria movimentado mais de 900 milhões de libras, cerca de R$ 6,2 bilhões, ao longo do período investigado. Como consequência, o clube apresentou demonstrações financeiras incorretas e ocultou sua real situação de auditores e reguladores do futebol, deixando de reportar corretamente receitas e despesas exigidas pelas Regras de Lucratividade e Sustentabilidade da Premier League e pelo Fair Play Financeiro da Uefa. A comissão também confirmou três das quatro acusações relacionadas à falta de cooperação do clube durante a investigação.
O que diz o Manchester City
Em nota oficial, o clube afirmou estar “surpreso e desapontado” com a decisão e reforçou se considerar inocente das acusações, dizendo dispor de um conjunto de provas que sustentam sua posição. O City confirmou que vai recorrer, alegando que a decisão contém “erros materiais evidentes, de direito, de princípio e de fato”. O prazo para apresentação do recurso se encerra nesta sexta-feira (2 de outubro).
Punição ainda não foi definida
Apesar do veredicto de culpa já ser oficial, a comissão independente ainda não estabeleceu as sanções aplicáveis ao clube. Uma audiência suplementar confidencial será marcada especificamente para definir a dosimetria da pena, sem prazo divulgado até o momento. Entre as possibilidades previstas no regulamento da Premier League estão multas financeiras, dedução de pontos na tabela, suspensão ou expulsão da competição, além da combinação dessas sanções.
Um caso que já havia passado pela Uefa
Este não é o primeiro processo por Fair Play Financeiro enfrentado pelo Manchester City: em 2020, a Uefa havia suspendido o clube por dois anos das competições europeias por infrações semelhantes, mas a punição foi revertida na Corte Arbitral do Esporte (CAS), que manteve apenas uma multa pela recusa do clube em colaborar com a investigação europeia na época.




