O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, criticou a medida provisória que determina a proibição das casas de apostas no Brasil e afirmou que a decisão poderá comprometer receitas futuras do clube. Em entrevista à Flamengo TV, o dirigente citou compromissos financeiros assumidos pelo Rubro-Negro e questionou como a equipe irá manter o planejamento diante da mudança.
“Como eu vou pagar o Paquetá em janeiro? Eu assumi um compromisso importante para o Flamengo. Tudo que o Flamengo faz é dentro da lei. Mas essa medida compromete as receitas no futuro”, declarou Bap.
Segundo o dirigente, a estimativa do Flamengo é de deixar de arrecadar R$ 400 milhões com a suspensão das bets. Ele afirmou que a perda poderá atingir a folha do futebol, novas contratações e também os esportes olímpicos, que contam com recursos relacionados à renúncia fiscal.
Bap pede revisão da medida
O presidente rubro-negro defendeu que a decisão seja reavaliada pelo Congresso Nacional ou pelo Supremo Tribunal Federal e afirmou que o clube precisará procurar novas fontes de receita caso a medida seja mantida.
“Vamos buscar alternativas, novos patrocinadores, mas os valores serão muito abaixo dos atuais”, afirmou.
Bap também avaliou que a mudança poderá afetar a competitividade financeira do futebol brasileiro em relação a outros mercados sul-americanos.
“Vai haver um enfraquecimento ainda maior no futebol brasileiro e um fortalecimento do futebol argentino”, disse o dirigente.
Patrocínios também entram na discussão
A medida também afeta diretamente os contratos comerciais dos clubes. As equipes que possuem empresas de apostas entre seus patrocinadores terão que retirar essas marcas de uniformes, redes sociais, centros de treinamento e outros espaços de exposição, incluindo possíveis nomenclaturas de estádios.
Dos 20 clubes da Série A do Brasileirão em 2026, 14 têm casas de apostas como patrocinadoras principais, segundo o levantamento citado. Com a mudança, essas equipes terão que substituir os espaços atualmente ocupados pelas empresas.
Futebol pode perder mais de R$ 1 bilhão
Um levantamento do UOL Esporte aponta que as casas de apostas representam uma parcela significativa das receitas de patrocínio dos clubes da elite nacional. Em 2025, as empresas responderam por R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,069 bilhões arrecadados pelos clubes da Série A com patrocínios.
Diante da suspensão dos contratos, o futebol brasileiro enfrenta a possibilidade de perder mais de R$ 1 bilhão por ano em receitas de patrocínio, conforme estimativa mencionada pelo InfoMoney.
Para os clubes, o impacto envolve não apenas a necessidade de substituir marcas nos espaços publicitários, mas também a busca por novas fontes de financiamento para preservar compromissos já assumidos e o planejamento das próximas temporadas.




