O futebol brasileiro entrou em uma nova fase nesta sexta-feira (25), após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar uma Medida Provisória (MP) que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país. A medida também alcança jogos online e determina um cronograma para o encerramento das operações das plataformas.
A MP tem força de lei a partir da publicação e já impede as plataformas de receberem novos aportes. O cronograma prevê que os sites e aplicativos de apostas saiam do ar a partir de 6 de outubro. As empresas têm até 5 de outubro para retirar materiais publicitários e de patrocínio veiculados em meios físicos e peças de publicidade exterior.
Clubes terão de rever contratos de patrocínio
A mudança atinge diretamente o futebol brasileiro, já que 14 dos 20 clubes da Série A de 2026 possuem casas de apostas como patrocinadoras máster. Com a proibição da publicidade, os contratos do setor terão de ser interrompidos ou renegociados conforme os efeitos da MP.
Antes mesmo da assinatura da medida, empresas do segmento já haviam comunicado clubes sobre a possibilidade de rompimento dos acordos. Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte estavam entre as empresas que haviam iniciado movimentos nesse sentido.
Entre os principais contratos informados no levantamento apresentado estão:
- Flamengo — Betano: R$ 220 milhões;
- Corinthians — Esportes da Sorte: R$ 150 milhões;
- Palmeiras — Sportingbet: R$ 100 milhões;
- São Paulo — Superbet: R$ 90 milhões;
- Atlético-MG — H2Bet: R$ 60 milhões;
- Fluminense — Superbet: R$ 58 milhões;
- Botafogo — Vbet: R$ 55 milhões;
- Cruzeiro — Betnacional: R$ 50 milhões;
- Vasco — Sportingbet: R$ 50 milhões;
- Grêmio — Pitaco: R$ 46,7 milhões;
- Santos — Novibet: R$ 35 milhões;
- Vitória — 7K Bet: R$ 20 milhões;
- Remo — Vaidebet: R$ 12 milhões;
- Chapecoense — ZeroUm: R$ 10 milhões.
Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Internacional, Mirassol e RB Bragantino não possuem patrocínio máster de casas de apostas, segundo o levantamento apresentado.
Mais de R$ 1 bilhão em patrocínios
O impacto financeiro potencial é expressivo. Dados levantados pela imprensa apontam que os patrocínios de casas de apostas aos clubes da Série A somaram cerca de R$ 1,03 bilhão em 2025, representando uma parcela relevante das receitas comerciais das equipes.
O Flamengo, que possui um dos maiores acordos do futebol brasileiro com uma empresa do setor, já havia estimado perdas de centenas de milhões de reais caso a mudança ocorresse sem período de adaptação. O presidente do clube, Bap, afirmou antes da assinatura da MP que o impacto imediato poderia chegar a R$ 400 milhões a R$ 430 milhões.
Além dos patrocínios, a medida pode afetar diferentes áreas da estrutura financeira dos clubes, incluindo futebol profissional, categorias de base, futebol feminino e outras modalidades esportivas.
Clubes estudam alternativas após decisão
A reação dos clubes ocorre enquanto o governo federal também discute medidas para reduzir os impactos financeiros da mudança. Representantes de equipes e da CBF têm reunião prevista com integrantes do governo nesta terça-feira (29) para tratar das consequências da MP para o futebol brasileiro.
As casas de apostas também avaliam medidas judiciais contra a decisão, enquanto clubes analisam alternativas para substituir os contratos encerrados pelo fim da publicidade do setor.
A proibição não impede o torcedor de utilizar camisas antigas que tenham marcas de casas de apostas. A restrição prevista na MP é direcionada à exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas, e não ao uso particular de produtos adquiridos anteriormente.




