O episódio registrado na Vila Belmiro no último domingo (23) ganhou repercussão na Justiça Desportiva. O Santos foi denunciado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) depois que um torcedor santista cuspiu no lateral Reinaldo, do Mirassol, durante o empate por 1 a 1 entre as equipes, válido pela 24ª rodada do Brasileirão.
Como aconteceu o episódio
A cusparada ocorreu aos 25 minutos do primeiro tempo, no momento em que Reinaldo se aproximava da proteção que separa o campo da arquibancada para cobrar um lateral. A árbitra Edina Alves Batista presenciou a cena e registrou o ocorrido em súmula, relatando que o ato partiu de onde estava a torcida do Santos, mas que não foi possível identificar o responsável no momento. As imagens da transmissão, no entanto, capturaram o momento com clareza. Após ser atingido, o jogador reclamou com a arbitragem, e companheiros de partida, como Neymar, chegaram a conversar com ele antes da retomada do jogo.
O desabafo de Reinaldo
Depois da partida, o lateral publicou um relato nas redes sociais classificando o episódio como “nojento, lamentável e vergonhoso” e cobrando providências para que situações do tipo não se repitam. Reinaldo destacou que, independentemente do resultado em campo, nenhum profissional deveria ser exposto a esse tipo de agressão apenas por representar um clube em campo.
Como fica a situação do Santos
A Procuradoria do STJD enquadrou o clube no artigo 213, inciso I, combinado com o parágrafo 1º do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), dispositivo que prevê punição para entidades que deixam de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordens em sua praça esportiva. Pelo artigo, o Santos pode ser multado entre R$ 100 e R$ 100 mil e, caso o caso seja considerado de gravidade elevada ou tenha prejudicado o andamento da partida, ainda corre o risco de perder o mando de campo por até dez jogos — punição que também pode se traduzir na obrigação de mandar partidas com os portões fechados. Além do episódio da cusparada, o clube também foi denunciado pelo atraso no início e no reinício da partida, enquadrado no artigo 206 do CBJD.
Santos já identificou o torcedor
Apesar da árbitra não ter conseguido apontar o responsável durante o jogo, o Santos informou, em nota divulgada na segunda-feira (24), que já identificou o torcedor autor da cusparada. O clube encaminhou os dados às autoridades competentes, abriu uma sindicância interna para apurar o episódio e afirmou repudiar qualquer ato de desrespeito ou violência dentro ou fora dos estádios. A identificação do responsável tende a ser usada pela defesa do clube no julgamento, como forma de demonstrar que tomou medidas concretas assim que tomou conhecimento do ocorrido.
Quando será o julgamento
O caso será analisado nesta quinta-feira (27) pela 4ª Comissão Disciplinar do STJD, que vai definir se o Santos será condenado e qual a extensão da punição a ser aplicada.




