A Fifa anunciou nesta sexta-feira (21) uma série de sanções à Associação do Futebol Argentino (AFA) por infrações cometidas durante a Copa do Mundo de 2026. Além da multa aplicada à federação, três jogadores foram punidos individualmente pela confusão registrada após o apito final da partida de decisão pelo título contra a Espanha, com destaque para a suspensão de dez partidas impostas a Leandro Paredes – uma das mais duras já vistas em uma Copa do Mundo.
A confusão na final
A decisão final, disputada em 19 de julho, terminou com vitória da Espanha por 1 a 0, com gol de Ferran Torres na prorrogação, mas xxx. Paredes, tomado pela frustração da derrota, segurou Eric García pelo pescoço e depois partiu para cima de Gavi, já caído no gramado, num aglomerado de jogadores das duas seleções. Minutos depois, Nahuel Molina acertou um soco no meio-campista Rodri enquanto o jogador, que caminhava para comemorar o título.
Pela gravidade dos episódios, Paredes recebeu dez jogos de suspensão e multa de US$ 90 mil (cerca de R$ 466,7 mil) – punição que o tira da seleção argentina por praticamente um ano, já que o calendário de jogos das seleções da Fifa somam exatamente dez jogos até junho de 2027. A sanção é comparada por veículos internacionais à de Luis Suárez em 2014, quando o uruguaio foi banido por uma mordida durante a Copa no Brasil. Molina, autor do soco em Rodri, foi suspenso por sete jogos e multado no mesmo valor de Paredes. Já Thiago Almada recebeu um jogo de gancho e multa de US$ 30 mil (R$ 155 mil), assim como o auxiliar técnico argentino Roberto Ayala, suspenso por três partidas. Do lado espanhol, Gavi também foi suspenso por uma partida e multado em US$ 30 mil.
O detalhamento da multa à AFA
A punição financeira contra a federação argentina foi dividida por categoria de infração. A mais pesada, de US$ 100 mil (cerca de R$ 518 mil), refere-se à cânticos e insultos racistas, homofóbicos e discriminatórios entoados por torcedores argentinos em jogos contra Cabo Verde, Egito, Suíça, Inglaterra e Espanha. Outra multa, de US$ 91 mil (R$ 471,8 mil), envolve arremesso de objetos em campo, atraso no início de uma partida e violações do protocolo de segurança nos duelos contra Suíça e Inglaterra. Uma terceira sanção, de US$ 20 mil (R$ 103 mil), foi aplicada por conduta inadequada da torcida. Somadas, essas multas chegam a US$ 221 mil (R$ 1,1 milhão) — valor que pode subir para perto de US$ 321 mil (R$ 1,6 milhão) ao considerar a obrigatoriedade de a AFA investir outros US$ 100 mil em projetos de combate à discriminação, conforme determinado pela Fifa.
A faixa das Malvinas também entrou na conta
Depois da vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, na semifinal, jogadores argentinos haviam exibido uma faixa com a mensagem “As Malvinas são argentinas”, gesto que gerou repercussão política imediata, inclusive com políticos britânicos cobrando punição. A Fifa entendeu o episódio como uso de um evento esportivo para manifestação de caráter não esportivo e aplicou uma multa adicional de US$ 10 mil (cerca de R$ 51,8 mil) à AFA por esse motivo específico.
Restrição de público nos próximos jogos
Como consequência das infrações relacionadas à discriminação, a seleção da argentina tera de mandar os próximo dois jogos em casa com apenas 50% da capacidade nas arquibancadas – sendo que uma dessas restrições vem com a pena suspensa. A Fifa, no entanto, permitiu que parte dos lugares disponíveis seja destinada a grupos comunitários ou de interesse específico, como famílias, estudantes ou organizações sociais.
AFA sinaliza recurso
Em comunicado oficial, a AFA informou que vai solicitar à Fifa os fundamentos das decisões passíveis para, então, apresentar recursos junto à Comissão de Recursos da entidade, reservando-se ainda a possibilidade de recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) como última instância. O episódio da faixa das Malvinas, aliás, não foi isolado: já no início de agosto, a própria AFA havia instituído o “Dia das Seleções Nacionais” para celebrar anualmente a data da vitória sobre a Inglaterra na semifinal, o que reforça o tom político que cercou a trajetória argentina na competição.




