A Copa do Mundo de 2026 já entrou para a história antes mesmo de avançar para as fases decisivas. Pela primeira vez em mais de quatro décadas, todos os jogadores que vestem a camisa 10 das seleções sul-americanas classificadas para o Mundial atuam em clubes do próprio continente americano.
O dado marca uma mudança significativa no cenário do futebol internacional e reforça a crescente força de mercados fora do tradicional eixo europeu. Seja pela expansão da MLS, nos Estados Unidos, ou pela capacidade de grandes clubes sul-americanos em manter seus principais talentos, o perfil dos craques da Conmebol mudou.
Ao todo, seis seleções representam a América do Sul na competição: Brasil, Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai e Uruguai.
Uma marca que não acontecia desde 1982
A última vez que todos os camisas 10 sul-americanos chegaram a uma Copa do Mundo sem atuar na Europa foi em 1982, no Mundial da Espanha.
Naquele período, nomes históricos como Zico, Diego Maradona, Mario Soto e Teófilo Cubillas defendiam equipes das Américas. Depois disso, os principais talentos do continente passaram a migrar cada vez mais cedo para gigantes da Espanha, Itália, Inglaterra, Alemanha e França.
Durante décadas, especialmente Brasil e Argentina foram representados por estrelas que chegavam às Copas atuando nos maiores clubes do futebol europeu. Agora, esse cenário dá lugar a uma nova realidade.
Quem são os camisas 10 da Conmebol em 2026?
A edição de 2026 reúne uma combinação de ídolos consagrados e novas promessas espalhadas por clubes dos Estados Unidos, Brasil e Argentina.
- Brasil: Neymar (Santos)
- Argentina: Lionel Messi (Inter Miami)
- Colômbia: James Rodríguez (Minnesota United)
- Uruguai: Giorgian de Arrascaeta (Flamengo)
- Paraguai: Miguel Almirón (Atlanta United)
- Equador: Kendry Páez (River Plate)
O caso brasileiro chama atenção. Desde as Copas de 1982 e 1986, quando Zico era o principal nome da equipe atuando pelo Flamengo, a Seleção não iniciava um Mundial com seu camisa 10 jogando fora da Europa.
Na Argentina, a situação também quebra uma longa tradição. O último camisa 10 da seleção albiceleste que disputou uma Copa atuando em um clube sul-americano havia sido Ariel Ortega, em 2002, defendendo o River Plate.
Nova geografia do futebol
Mais do que uma simples coincidência, a marca reflete uma transformação global. A MLS se consolidou como destino de estrelas internacionais, enquanto clubes sul-americanos ganharam maior capacidade financeira e esportiva para manter atletas de alto nível por mais tempo.
A presença de Neymar, Messi, James Rodríguez, Arrascaeta, Almirón e Kendry Páez atuando nas Américas mostra que o protagonismo do continente já não depende exclusivamente das grandes ligas europeias.




