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Santos coloca CT em jogo por dívida com empresa de Neymar

O Santos deu um passo ousado, e arriscado, para tentar reorganizar suas finanças. O clube renegociou uma dívida de R$ 90,5 milhões com a NR Sports, empresa que administra a imagem de Neymar, e colocou como garantia um de seus maiores patrimônios: o CT Meninos da Vila.

O acordo, firmado no fim de 2025 e revelado pelo Diário do Peixe, vai além de números. Ele desenha um cenário que pode impactar diretamente o futuro político e estrutural do Peixe nos próximos anos.

Fôlego agora, pressão até 2029

Para aliviar o caixa no curto prazo, o Santos estruturou um plano de pagamento em duas etapas. No início de 2026, o clube quitou R$ 26 milhões em cinco parcelas mensais de R$ 5,2 milhões. Já o saldo restante, de R$ 64,5 milhões, foi dividido em 43 prestações de R$ 1,5 milhão, corrigidas pelo IPCA/FGV.

A conta, no entanto, se estende até o fim da década: a previsão é de quitação total apenas em 30 de dezembro de 2029, mantendo uma despesa fixa e prolongada no orçamento alvinegro.

Cláusulas que podem mudar tudo

O ponto mais sensível do contrato está nas condições políticas impostas. O documento prevê o vencimento antecipado da dívida em cenários críticos. Um deles é eleitoral: caso o atual presidente, Marcelo Teixeira, não seja reeleito em 2026, o próximo mandatário pode ser obrigado a quitar todo o valor de uma só vez.

Outro gatilho é ainda mais estrutural: se o Santos optar por se transformar em SAF, a dívida também vence imediatamente, uma trava que pode influenciar decisões estratégicas do clube.

CT na linha de risco

Sem a conversão para SAF e diante de eventual inadimplência, o CT Meninos da Vila passa a ser a garantia real da dívida. Na prática, um dos maiores símbolos da base santista entra diretamente na equação financeira.

E há mais pressão: se o clube se recusar a formalizar a cessão do centro de treinamento, poderá sofrer uma multa diária de 1% sobre o valor total devido, um impacto pesado para cofres já fragilizados.

Entre parcelas longas, cláusulas rígidas e patrimônio em risco, o Santos tenta equilibrar as contas enquanto caminha em terreno delicado, onde qualquer deslize pode custar caro dentro e fora de campo.

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