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Abel Ferreira critica cultura do futebol brasileiro após demissão de Filipe Luís

A demissão de Filipe Luís do comando do Flamengo segue repercutindo, e ganhou um novo capítulo com as declarações de Abel Ferreira. Em entrevista coletiva nesta terça-feira (3), o técnico do Palmeiras foi direto ao analisar o cenário e não poupou críticas à cultura do futebol nacional.

No Brasil desde 2020, o treinador português classificou o ambiente como implacável e, em muitos momentos, irracional, destacando a falta de paciência com processos e a obsessão por resultados imediatos.

“O Brasil não é para amadores. Há coisas que são culturais. Eu falo muito nos dirigentes. Há uma coisa que é cultura, não vamos mudar. Eu ganhei duas Libertadores e era o melhor, e depois perdi outros títulos e sou o pior”, desabafou.

Abel também contestou a ideia de que maior investimento financeiro garante, obrigatoriamente, conquistas. Para ele, o futebol é imprevisível por natureza — e citou, inclusive, confrontos como os do Palmeiras contra o Novorizontino para exemplificar como surpresas fazem parte do jogo.

Demissão chama atenção pelos números

A saída de Filipe Luís chama ainda mais atenção pelo desempenho expressivo à frente do Flamengo. Em um curto período, o treinador acumulou títulos de peso, como Copa do Brasil, Supercopa do Brasil, Campeonato Carioca, Libertadores e Campeonato Brasileiro.

No geral, foram 63 vitórias, 23 empates e apenas 15 derrotas, números que reforçam o tom de surpresa e alimentam o debate sobre os critérios adotados no futebol brasileiro.

Mesmo com campanhas consideradas competitivas em torneios internacionais, como o Mundial de Clubes, o ciclo foi interrompido, gerando questionamentos dentro e fora do país.

“Viver na incerteza”

O próprio Abel Ferreira utilizou sua trajetória recente para contextualizar o cenário. Após anos de conquistas, 2025 marcou seu primeiro período sem títulos no Palmeiras, experiência que, segundo ele, evidencia a natureza instável do futebol.

Para o treinador, o grande desafio está justamente em lidar com essa imprevisibilidade, algo que, na sua visão, ainda não é plenamente compreendido pela gestão esportiva no Brasil.

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