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Fifa sabia de possível irregularidade e liberou goleiro do Congo

A Fifa tinha conhecimento de que Lionel Mpasi ainda não havia concluído a mudança de vínculo internacional da França para a República Democrática do Congo, mas permitiu que o goleiro defendesse a seleção africana nas Eliminatórias e na Copa do Mundo de 2026.

A informação foi revelada nesta terça-feira (6) por uma investigação conjunta do New York Times e do Le Monde, baseada em documentos internos da entidade. Os registros indicam que advogados da própria Fifa chegaram a considerar Mpasi inelegível para atuar pelo Congo.

Nascido na França, o goleiro defendeu as seleções de base do país e disputou ao menos cinco partidas, incluindo a Copa do Mundo Sub-17 de 2011. Em 2021, a Federação Congolesa iniciou o processo para que ele pudesse representar o país africano, mas a documentação necessária não teria sido concluída.

Mesmo assim, Mpasi estreou pelo Congo em fevereiro de 2022 e passou a ser utilizado regularmente.

Nigéria questionou escalação

A situação veio à tona após a Federação Nigeriana reclamar à Fifa da utilização do goleiro. A Nigéria havia sido eliminada pelo Congo na disputa por uma vaga na repescagem intercontinental da Copa do Mundo.

Documentos analisados pela investigação mostram que os advogados da Fifa alertaram que Mpasi poderia estar impedido de defender a seleção congolesa. Quatro partidas disputadas pelo goleiro foram colocadas sob questionamento.

Caso a irregularidade tivesse sido reconhecida, os resultados desses jogos poderiam ser alterados, com possível impacto direto na classificação para a repescagem.

O regulamento disciplinar da Fifa prevê derrota por W.O. e multa em casos de escalação de jogadores inelegíveis após uma reclamação. Os pareceres internos também indicavam a possibilidade de punição à Federação Congolesa e de suspensão de seis meses para Mpasi.

Entidade não aplicou punições

Apesar das recomendações, a Fifa decidiu não punir a seleção da República Democrática do Congo. Segundo a entidade, a reclamação apresentada pela Federação Nigeriana foi considerada inadmissível pela comissão disciplinar.

Como não houve recurso dentro do prazo previsto, a decisão se tornou definitiva. A Fifa também negou que o presidente Gianni Infantino tenha interferido na condução do processo.

Com a situação mantida, o Congo avançou nas Eliminatórias, derrotou a Jamaica na repescagem intercontinental e garantiu presença na Copa do Mundo de 2026.

A classificação encerrou um jejum de 52 anos. A última participação do país em um Mundial havia sido em 1974, quando ainda competia sob o nome de Zaire.

Mpasi disputou o Mundial

A controvérsia não impediu que Mpasi integrasse a delegação congolesa na Copa do Mundo. Aos 32 anos, o goleiro apareceu na lista oficial da Fifa com 29 partidas pela seleção.

O Congo avançou até a fase de 16 avos de final, quando acabou eliminado pela Inglaterra.

A divulgação dos documentos agora levanta questionamentos sobre a condução do caso pela Fifa, especialmente porque os próprios pareceres internos da entidade apontavam possíveis consequências esportivas para a campanha congolesa nas Eliminatórias.

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