A decisão do governo federal de proibir a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil provocou uma reação entre dirigentes do futebol brasileiro. A Medida Provisória nº 1.394 foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (25) e também atinge diretamente os contratos de patrocínio dos clubes.
Diante da perda de receitas, clubes da elite nacional passaram a discutir a possibilidade de paralisar o Campeonato Brasileiro como forma de pressionar por mudanças na aplicação da medida. A articulação ganhou força nesta segunda-feira (28), com dirigentes debatendo ações conjuntas envolvendo a CBF, o governo federal e outras instituições.
Clubes querem período de transição
Entre as reivindicações discutidas está a criação de um período de transição de seis meses a um ano para o encerramento dos contratos de publicidade e patrocínio vinculados às casas de apostas.
A mobilização também busca pressionar a CBF a participar das discussões sobre os efeitos da MP. Uma reunião entre representantes do governo e do futebol estava prevista para esta terça-feira (29), mas acabou adiada após dirigentes sinalizarem dificuldades para participar do encontro.
A própria MP estabelece prazos para a retirada de publicidade. O governo determinou, por exemplo, que as empresas retirem até 5 de outubro materiais publicitários e de patrocínio veiculados em meios físicos e publicidade exterior.
Patrocínios terão que ser retirados
A medida atinge diretamente os espaços ocupados pelas bets nos clubes, incluindo uniformes, redes sociais, centros de treinamento e outras propriedades comerciais.
Dos 20 participantes da Série A em 2026, 14 possuem casas de apostas como patrocinadoras principais, de acordo com o levantamento apresentado. Os clubes terão que buscar alternativas para substituir essas marcas e recompor parte das receitas perdidas.
Entre os maiores contratos citados estão:
- Flamengo – Betano: R$ 220 milhões
- Corinthians – Esportes da Sorte: R$ 150 milhões
- Palmeiras – Sportingbet: R$ 100 milhões
- São Paulo – Superbet: R$ 90 milhões
- Atlético-MG – H2Bet: R$ 60 milhões
- Fluminense – Superbet: R$ 58 milhões
- Botafogo – Vbet: R$ 55 milhões
- Cruzeiro – Betnacional: R$ 50 milhões
- Vasco – Sportingbet: R$ 50 milhões
- Grêmio – Pitaco: R$ 46,7 milhões
- Santos – Novibet: R$ 35 milhões
- Vitória – 7K Bet: R$ 20 milhões
- Remo – Vaidebet: R$ 12 milhões
- Chapecoense – ZeroUm: R$ 10 milhões
Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Internacional, Mirassol e RB Bragantino não possuem patrocínio máster de casas de apostas, segundo o levantamento.
Impacto financeiro preocupa dirigentes
O peso das bets no futebol brasileiro ajuda a explicar a reação dos clubes. Em 2025, R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,069 bilhões arrecadados pelos clubes da Série A em patrocínios teve origem em empresas do setor, conforme levantamento citado pelo UOL Esporte.
A preocupação não se limita aos contratos futuros. A interrupção dos acordos pode afetar o fluxo de caixa das equipes e comprometer planejamentos financeiros já realizados.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, estimou perdas entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões para o clube no próximo ano e afirmou que uma interrupção sem período de adaptação dificultaria o cumprimento dos compromissos assumidos.
Enquanto os clubes discutem uma reação conjunta, o governo também avalia alternativas para o futebol. Entre elas está um programa de crédito que pode chegar a R$ 20 bilhões para refinanciamento das dívidas dos clubes, segundo informações divulgadas pelo UOL.
A Medida Provisória já está em vigor, mas ainda depende da tramitação no Congresso Nacional para se tornar lei de forma definitiva.




