O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, afirmou nesta quarta-feira (23) que a confiança no futebol mundial continua abalada, meses após a Fifa desistir de um controverso projeto para vender participações nos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados.
Durante um discurso no Portugal Football Summit, o dirigente europeu criticou a condução recente do futebol internacional sem citar diretamente a Fifa ou seu presidente, Gianni Infantino. Para Ceferin, um projeto apresentado nos últimos meses prejudicou a unidade da modalidade e provocou uma crise institucional.
“Nem todos colocam o jogo acima de suas próprias ambições. A confiança em nosso esporte se baseia em três pilares: unidade, transparência e uma governança que sirva a muitos, e não a poucos. Recentemente, os três foram ignorados por pessoas que haviam jurado protegê-los”, declarou.
Proposta de venda de direitos gerou resistência
A crise nos bastidores do futebol ganhou força após a Copa do Mundo de 2026, quando a Fifa apresentou uma proposta para negociar 20% de seus direitos comerciais com investidores privados.
A iniciativa enfrentou resistência da Uefa, da Confederação Asiática de Futebol (AFC) e da Concacaf. As 55 associações nacionais filiadas à entidade europeia chegaram a ameaçar um boicote às competições da Fifa, aumentando a pressão sobre a organização.
Diante da oposição, a Fifa recuou e arquivou a proposta em julho. Ceferin, no entanto, afirmou que a desistência do projeto não foi suficiente para recuperar a confiança entre as entidades que administram o futebol mundial.
“Não se pode vender o futebol. Essa é a mensagem que a Uefa vem transmitindo há anos. O projeto que destruiu a unidade do futebol mundial pode ter sido abandonado, mas a confiança que ele quebrou não voltou, e repará-la é nosso trabalho agora”, afirmou.
Infantino apresenta possíveis mudanças
Na última segunda-feira, Gianni Infantino enviou uma carta às 211 associações-membro e ao Conselho da Fifa com possíveis mudanças na condução da entidade. Entre as propostas está uma revisão da maneira como grandes projetos são planejados e executados.
As sugestões serão analisadas na próxima reunião do Conselho da Fifa, marcada para 15 de outubro. Para Ceferin, entretanto, o simples cancelamento da negociação dos direitos comerciais não resolve o desgaste institucional.
“O jogo continuará seguro se aqueles que o governam se lembrarem para quem estão governando”, concluiu o presidente da Uefa.




