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CBF reúne 40 clubes do Brasileirão para discutir mudanças na arbitragem e avança na criação da liga única

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reuniu, nesta segunda-feira (10), dirigentes dos 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, no Rio de Janeiro, para debater possíveis mudanças na arbitragem do futebol nacional. O encontro é o primeiro de um ciclo de cinco reuniões programadas entre agosto e dezembro, que também vai tratar da criação da Liga do Futebol do Brasil.

O que a CBF quer mudar

A entidade pretende levar ao Brasileirão parte das regras aplicadas durante a Copa do Mundo de 2026, com o objetivo de aumentar o tempo de bola rolando – garantindo que a partida tenha mais minutos de jogo real e menos tempo perdido com substituições, simulações, reclamações e cobranças demoradas de laterais e faltas. Uma das medidas em estudo é a aplicação de cartão amarelo a jogadores que se aglomerarem em torno do árbitro para pressionar por uma decisão. O presidente da CBF, Samir Xaud, classificou o encontro como parte de um modelo baseado em diálogo e disse que a entidade dará início a discussões sobre regras já usadas no Mundial. Já o vice-presidente Gustavo Dias Henrique comparou o processo de ajuste da arbitragem à reforma do sistema de saúde pública, dizendo que é um processo que exige tempo.

Notas oficiais também entram na pauta

Além das regras dentro de campo, a CBF quer discutir com os clubes o uso de notas oficiais para questionar decisões de arbitragem após as partidas. Nos últimos dias, equipes como Internacional, Corinthians, Flamengo, Palmeiras e Vitória divulgaram notas criticando arbitragens ou respondendo a críticas de adversários. A avaliação da entidade é de que o excesso de manifestações públicas desse tipo pode comprometer a credibilidade das competições e afastar torcedores.

As regras aprovadas

Entre as medidas aprovadas pelos clubes estão:

  • limite de oito segundos para o goleiro repor a bola em jogo, sob pena de escanteio para o adversário;
  • cinco segundos para cobranças de lateral e de tiro de meta;
  • dez segundos para o jogador substituído deixar o campo;
  • um minuto fora de campo para o atleta que receber atendimento médico, com regra equivalente para um jogador de linha sempre que o goleiro precisar ser atendido;
  • e o fim dos “bolinhos” em torno do árbitro, já que apenas o capitão poderá dialogar com a arbitragem.
  • expulsão para o jogador que cobrir a boca durante uma discussão com adversários o chamado protocolo Vini Jr.;
  • possibilidade de o VAR revisar a aplicação de um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão;
  • para 2027, revisão via VAR de escanteios concedidos por engano, desde que a revisão ocorra antes da cobrança.

As mudanças foram propostas depois que um estudo da CBF mostrou que o Brasileirão teve, em média, apenas 52 minutos e 54 segundos de bola rolando por partida nesta temporada — abaixo do padrão de 60 minutos desejado pela Fifa e também inferior à média das cinco principais ligas europeias. A entidade projeta elevar esse número para a faixa de 57 a 58 minutos até o fim do ano.

Parte de um processo mais amplo

A reunião desta segunda-feira integra um cronograma que vai até dezembro, com encontros voltados à definição de regras do Campeonato Brasileiro de 2027 e ao avanço da criação da Liga do Futebol do Brasil, projeto que busca aproximar o modelo de organização do futebol nacional ao de ligas como Premier League, La Liga e Bundesliga. Segundo a CBF, a intenção de curto prazo é aprovar medidas já para a sequência do Brasileirão deste ano, enquanto as mudanças estruturais da liga seguem em fase de construção ao longo dos próximos meses.

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