Enquanto a Uefa mantém o boicote e a Conmebol prefere ficar em cima do muro diante da crise que atinge a Fifa, a Argentina decidiu se manifestar: a AFA, presidida por Claudio Tapia, divulgou nesta sexta-feira (7) uma carta aberta em apoio a Gianni Infantino. A federação argentina não está sozinha nesse movimento, já que a Federação Mexicana de Futebol (FMF), Confederação Africana de Futebol (CAF) e a federação do Paraguai também declararam apoio ao presidente da Fifa na mesma leva de pronunciamentos.
O que motivou o posicionamento
O apoio vem poucos dias depois de a Fifa admitir erros e pedir desculpas às 211 federações filiadas pela condução da proposta que ficou conhecida como Fifa Forward Enterprise, um plano de US$ 20 bilhões para vender direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores externos – projeto engavetado após reações negativas dentro do futebol mundial. Na carta, Tapia elogiou a decisão da Fifa de recuar do projeto e destacou o reconhecimento dos erros cometidos, classificando o pedido de desculpas enviado às associações-membro como uma mensagem ponderada.
Elogios à gestão de Infantino
Tapia não se limitou a comentar apenas o episódio recente. O dirigente aproveitou a carta para elogiar os dez anos de gestão de Infantino à frente da Fifa, afirmando que o mesmo promoveu uma transformação profunda na entidade, com mais diálogo entre associações e confederações e um modelo de governança baseado em transparência e respeito às estruturas estatutárias. Para o presidente da AFA, o caminho ideal agora é a continuidade do mandato de Infantino, especialmente com o Congresso da Fifa se aproximando.
Um futebol mundial dividido
O gesto argentino mostra a divisão dentro do futebol mundial. De um lado, a Uefa mantém a posição mais dura desde o fim de semana passada, quando declarou publicamente ter perdido a confiança na presidência de Infantino, discurso esse que não mudou mesmo após o pedido de desculpas da Fifa. A Concacaf também cobrou explicações e exigiu maior fiscalização e uma revisão profunda dos rumos administrativos da entidade máxima do futebol. Do outro lado, um bloco de apoio a Infantino vem se formando rapidamente: além da Argentina, a Federação Mexicana já havia se posicionado a favor do dirigente atual, apoiando o chamado que ele fez às 211 associações-membro em 5 de agosto para “seguir desenvolvendo o futebol coletivamente” dentro da institucionalidade da entidade. CAF e Paraguai seguiram o mesmo caminho, enquanto a Conmebol prefere um tom mais neutro, defendendo o diálogo aberto e rejeitando qualquer tentativa de destituição de Infantino que não passe por votação democrática dos 211 membros da Fifa.




