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Fifa pede desculpas, mas crise não acaba: Uefa mantém boicote e Conmebol fica em cima do muro

A crise que atinge a cúpula da Fifa ganhou novos capítulos nesta quinta-feira (6). Um dia depois de Gianni Infantino se reunir com dirigentes da entidade em Rabat, no Marrocos, na tentativa de acalmar a situação, Uefa e Conmebol se posicionaram publicamente sobre o assunto — e de forma bem diferente uma da outra. Enquanto os europeus reforçaram o boicote às competições da Fifa, os sul-americanos preferiram um discurso mais neutro, pedindo união e respeito às instituições.

O que gerou a crise

O estopim de tudo foi um projeto da Fifa para criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que administraria a Copa do Mundo e outros eventos da entidade com participação de investidores externos,o que na prática abriria a porta para a venda de participação nos direitos comerciais do torneio. A proposta foi rejeitada por diversas confederações e obrigou Infantino a recuar. Na quarta-feira (5), em nota assinada por ele e pelo secretário-geral Mattias Grafström, a Fifa admitiu erros na condução do processo, pediu desculpas às 211 federações filiadas e reafirmou o apoio da diretoria à gestão do presidente, que tentará um quarto mandato na eleição de março.

Uefa não aceita desculpas e mantém boicote

Mesmo com o recuo e o pedido de desculpas, a Uefa não deu o assunto por encerrado. Em comunicado divulgado nesta quinta (6), a entidade europeia informou que suas federações filiadas colocaram duas condições para encerrar o boicote: a retirada definitiva de qualquer proposta de privatização das principais competições da Fifa e garantias de que tentativas semelhantes não se repitam. Como nenhuma das duas foi cumprida a contento, o boicote segue de pé, no mesmo tom da nota do último sábado (1), quando a Uefa disse ter perdido a confiança na administração de Infantino. A entidade europeia foi além e anunciou que vai abrir uma investigação independente para checar se os valores propostos no projeto estavam abaixo do mercado, o que poderia indicar favorecimento a algum investidor.

Conmebol fica em cima do muro

Já a Conmebol optou por um tom mais cauteloso. A entidade sul-americana “celebrou” a decisão da Fifa de recuar com o projeto, mas evitou citar Infantino diretamente ou fazer qualquer crítica direta à sua gestão. O texto divulgado pelo conselho da Conmebol demonstra preocupação com ações unilaterais tomadas sem diálogo institucional, e afirma que a entidade não vai apoiar procedimentos que fujam dos mecanismos de governança na escolha de quem vai comandar a Fifa no próximo mandato. Vale lembrar que a própria Conmebol já havia dado apoio à reeleição de Infantino em reunião realizada em abril, bem antes da crise estourar.

O que vem por aí

O conflito acontece poucos meses antes da eleição presidencial da Fifa, marcada para março, quando Infantino tentará se manter no cargo até 2031. O desentendimento também tem outro pano de fundo: a Copa do Mundo de 2030, que será disputada em Portugal, Marrocos e na Espanha, mas terá partidas extras na Argentina, no Paraguai e no Uruguai — países-sede do primeiro Mundial, em 1930 — em celebração ao centenário do torneio. A Conmebol, inclusive, defende que a próxima Copa tenha 64 seleções, número bem acima do atual. Com Uefa e Fifa em rota de colisão e a Conmebol tentando equilibrar o discurso, as próximas semanas prometem ser decisivas para o futuro político do futebol mundial.

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