O roteiro parecia escrito para uma vitória tranquila do Vasco, mas o futebol, mais uma vez, mostrou seu lado imprevisível. Diante da Chapecoense, em São Januário, o Cruzmaltino empilhou chances, amassou nas estatísticas e saiu na frente com Puma Rodríguez, mas acabou castigado no último suspiro: Jean Carlos acertou um golaço de falta, aos 46 do segundo tempo, e decretou o empate por 1 a 1 pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro.
O resultado teve gosto amargo para a torcida vascaína. Após o apito final, arquibancadas em ebulição, gritos de “Fora, Diniz” e papéis jogados em protesto deixaram claro o clima de insatisfação. O Vasco agora chega a três jogos consecutivos sem vitória e ainda busca seu primeiro triunfo no Brasileirão.
Na tabela, o Cruzmaltino soma apenas um ponto e ocupa as primeiras posições fora da zona de rebaixamento. Já a Chapecoense, eficiente e resiliente, alcança quatro pontos e aparece na terceira colocação, reforçando seu bom início de campeonato.
Primeiro tempo: bombardeio vascaíno e muralha verde
O Vasco entrou em campo em ritmo alucinante. Logo aos três minutos, Lucas Piton subiu mais que a zaga e cabeceou por cima, dando o tom do que viria pela frente. Philippe Coutinho, inspirado, comandava as ações e empilhava finalizações.
O goleiro Léo Vieira, porém, virou protagonista. Em sequência impressionante, salvou a Chapecoense em três chutes perigosos de Coutinho, um deles no canto, com a ponta dos dedos. A pressão era sufocante: posse de bola, escanteios, chutes, tudo a favor do Vasco, enquanto a Chape mal conseguia respirar.
Aos 23 minutos, Coutinho deixou Brenner cara a cara com o goleiro, que novamente levou a melhor ao esticar a perna. Pouco depois, o atacante ainda acertou a trave em cabeçada. O gol parecia questão de tempo, mas não saía.
Quando finalmente a bola entrou, aos 40, a frustração voltou: Brenner marcou após dividida na área, mas o árbitro Wilton Pereira Sampaio anulou por falta no goleiro. No último lance da etapa inicial, Coutinho cobrou falta, a bola desviou e carimbou a trave. Um verdadeiro bombardeio sem recompensa.
Segundo tempo: alívio cruzmaltino e castigo cruel
A chuva começou a cair e trouxe um clima ainda mais dramático. O Vasco manteve o ímpeto. Pediu pênalti em toque no braço, teve mais uma defesa milagrosa de Léo Vieira em chute de Puma Rodríguez e ainda viu a zaga catarinense salvar uma bola em cima da linha.
Aos 10 minutos, enfim, o grito preso na garganta saiu. Andrés Gómez cruzou com precisão e Puma Rodríguez, de primeira, mandou para o fundo das redes: 1 a 0 para o Vasco, explosão em São Januário.
O Cruzmaltino seguiu pressionando. Brenner voltou a acertar a trave após escanteio e desperdiçou mais uma chance clara depois de cruzamento de Coutinho, sendo substituído sob aplausos e vaias.
A partir daí, a Chapecoense ganhou coragem. Passou a atacar mais, encontrou espaços e levou perigo ao gol de Léo Jardim. O jogo ficou aberto, e perigoso para quem tanto desperdiçou.
Até que, aos 46 minutos, veio o golpe fatal. Jean Carlos cobrou uma falta do meio do campo, a bola viajou, tocou no travessão e morreu dentro do gol, em um lance tão improvável quanto cruel. Um golaço que silenciou São Januário e arrancou um ponto precioso para a Chape.




