Os clubes que integram a Libra receberam uma proposta que promete mexer com o equilíbrio financeiro do bloco. Apresentada pelo executivo Silvio Matos, a oferta do Banco Daycoval prevê a antecipação de 5% das receitas de televisão pelos próximos 15 anos, numa tentativa de dar fôlego imediato aos caixas dos clubes em meio a um mercado cada vez mais inflacionado.
A informação foi revelada pelo jornalista Rodrigo Capelo, do Estadão, e difere radicalmente das conversas travadas no passado com o fundo Mubadala. Desta vez, não há compra de participação nem ingerência na gestão: trata-se de uma operação de crédito, em que os clubes recebem o dinheiro agora e devolvem ao longo do tempo, usando como garantia as cotas de TV da Globo e de outros players.
O grande diferencial da proposta é que ela não exige adesão coletiva. Cada clube pode decidir individualmente se aceita ou não o acordo, o que escancara a divisão interna da Libra. De um lado estão Flamengo, Palmeiras, Bahia e Red Bull Bragantino, em situação financeira mais confortável; do outro, clubes como São Paulo, Grêmio e Santos, que veem no Daycoval uma possível tábua de salvação.
Para os mais endividados, a antecipação pode significar sobrevivência em um mercado dominado por SAFs e investimentos agressivos. Já para os gigantes mais organizados, o custo do dinheiro, juros e o comprometimento de parte da receita até meados da próxima década, pode pesar mais do que o benefício imediato. Agora, cabe aos dirigentes decidir se vale hipotecar um pedaço do futuro para tapar o rombo do presente.




