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Cristiano Ronaldo se rebela contra o Al-Nassr e escancara crise no futebol saudita; Benzema também toma atitude

A ausência de Cristiano Ronaldo na lista de relacionados do Al-Nassr para o jogo contra o Al-Riyadh, nesta segunda-feira (2), vai muito além de uma simples decisão técnica ou problema físico. Segundo o jornal português A Bola, o craque português se recusou a atuar como forma de protesto contra a gestão do clube e, principalmente, contra o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), que controla os principais times do país.

Cristiano estaria profundamente insatisfeito com o tratamento dispensado ao Al-Nassr em comparação com outros clubes sob o guarda-chuva do fundo estatal. Apesar de pedidos públicos por reforços, o time trouxe apenas o jovem Haydeer Abdulkareem nesta janela, movimento considerado tímido diante das ambições do camisa 7.

O contraste com o Al-Hilal, principal rival, é gritante. Também sob controle do PIF, o clube seguiu investindo pesado no mercado, fechando as contratações de Darwin Núñez e Pablo Marí e avançando na compra do atacante Kader Meité, do Rennes, por cerca de 30 milhões de euros. Nos bastidores, cresce a percepção de que o Hilal recebe tratamento privilegiado.

A revolta de Cristiano ecoa uma declaração recente do técnico Jorge Jesus, que afirmou que o Al-Nassr não possui o mesmo “poder político” do Al-Hilal dentro do futebol saudita. A fala causou forte repercussão no país e até gerou pedidos de punição por parte do rival.

Benzema também se rebela e amplia o desgaste

A crise, porém, não se limita a Cristiano Ronaldo. Karim Benzema, astro do Al-Ittihad, protagonizou movimento semelhante na semana passada ao se recusar a atuar contra o Al-Fateh. O motivo foi uma proposta de renovação considerada “desrespeitosa” pelo francês, o que o levou a abrir negociações com o próprio Al-Hilal para trocar de clube.

O episódio escancarou ainda mais as tensões dentro do modelo de gestão do futebol saudita. Os quatro principais clubes do país, Al-Hilal, Al-Nassr, Al-Ittihad e Al-Ahli, são controlados pelo PIF, fundo ligado diretamente ao príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. No entanto, a forma como os investimentos vêm sendo distribuídos passou a ser alvo de críticas internas.

Segundo reportagem do New York Times publicada em novembro, o PIF enfrenta dificuldades financeiras depois que vários megaprojetos idealizados pelo governo saudita não deram o retorno esperado. Com isso, o fundo avalia uma mudança de rota, buscando reduzir prejuízos e redistribuir investimentos, o que pode impactar diretamente o futebol.

Nesse contexto, o Al-Hilal aparece como o clube mais avançado em negociações para deixar o controle do PIF e passar a ter investimento privado, o que pode explicar sua agressividade no mercado e o interesse em Benzema.

Cristiano cobra igualdade e títulos

Para Cristiano Ronaldo, o ponto central do conflito é a falta de igualdade competitiva. O português entende que o Al-Nassr não recebe as mesmas condições do Al-Hilal para brigar por títulos, o que compromete diretamente seu projeto esportivo. Desde que chegou ao clube, em 2023, o craque ainda não conquistou um troféu de grande expressão no futebol saudita.

Ao se recusar a enfrentar o Al-Riyadh, Cristiano faz um gesto político: cobra um tratamento mais justo do PIF e da Saudi Pro League, exigindo um projeto à altura de sua ambição e de seu status no futebol mundial.

Um modelo em xeque

O Fundo de Investimento Público é hoje um dos atores mais poderosos do esporte global. Além de controlar os principais clubes sauditas, o PIF também é dono do Newcastle United, da Inglaterra, ampliando sua influência no futebol internacional.

No entanto, a crise aberta por Cristiano Ronaldo e Karim Benzema expõe as fragilidades do modelo centralizado de gestão. O que deveria garantir competitividade e crescimento da liga começa a gerar suspeitas de favorecimento, instabilidade e conflito entre os próprios protagonistas do projeto.

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