O técnico Abel Braga e o Internacional estão sendo acionados pelo Grupo Arco-Íris da Comunidade LGBTI+ junto ao STJD, após comentários considerados homofóbicos durante a coletiva de apresentação do treinador, no último domingo (30). Segundo o jornalista Lauro Jardim, a entidade solicita que medidas disciplinares sejam aplicadas tanto ao profissional quanto ao clube.
Abel Braga chegou a se desculpar horas depois, afirmando que “cores não definem gêneros”, mas o grupo defende que o pedido de perdão não o exime de responsabilidade. Para o coletivo, o treinador possui capacidade de influenciar comportamentos, reforçar estigmas e normalizar práticas discriminatórias no ambiente esportivo.
“Eu falei: ‘Eu não quero a p*rra do meu time treinando de camisa rosa, parece time de v*ado’”, disse Abel durante a apresentação. Minutos depois, tentou justificar: “Eu tinha que relaxar meu grupo hoje, para você entender. Eu quero os caras fortes”.
Casos semelhantes e respaldo legal
O Grupo Arco-Íris também cita a declaração de Ramón Díaz, em novembro, afirmando que “futebol é para homens, não é para meninas”. Segundo os advogados do coletivo, Carlos Nicodemos e Maria Fernanda Cunha, os dois episódios indicam um “padrão preocupante” e configuram violação das normas desportivas, especialmente o artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).
O dispositivo prevê:
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Suspensão de 5 a 10 partidas
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Multa de R$ 100 a R$ 100.000
para quem praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante relacionado a preconceito por origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou deficiência.
O coletivo também cita o episódio de misoginia envolvendo o atacante Dudu, do Palmeiras, contra a presidente Leila Pereira, reforçando o pedido de abertura do processo e solicitando que Abel e Ramón cumpram medidas de reparação e conscientização sobre o tema.




