Há quem diga que o amor por um clube de futebol não tem limites, e Alejo Ciganotto é a prova viva disso. O jovem argentino de 23 anos, torcedor fanático do Racing Club, decidiu transformar a paixão em jornada: ele está caminhando de Avellaneda, na Argentina, até o Rio de Janeiro, para assistir ao jogo de ida da semifinal da Copa Libertadores contra o Flamengo, no dia 22 de outubro, às 21h30 (de Brasília), no Maracanã.
A distância? Mais de 2.650 quilômetros. A motivação? Um amor que desafia qualquer lógica. Desde o dia 4 de outubro, Alejo segue seu roteiro, alternando longas caminhadas e caronas, sempre com o mesmo objetivo: ver seu time de coração em campo.
“Pode parecer loucura, mas é a forma que encontrei de viver o Racing intensamente. Já é um ritual. Dizem que sou o amuleto da Academia”, conta, entre risos, o torcedor, que documenta toda a jornada em suas redes sociais.
O ‘amuleto’ da Academia
Essa não é a primeira aventura de Alejo, e talvez nem a mais longa. Segundo ele, essa é a nona vez que viaja a pé ou de carona para acompanhar o Racing. Tudo começou na Copa Sul-Americana de 2023, quando percorreu o continente em uma espécie de peregrinação celeste e branca.
“O primeiro jogo foi no Chile, nas oitavas. Depois, fui até Curitiba contra o Athletico-PR. Quando o time passou, fui de novo até São Paulo para o jogo contra o Corinthians, e na final fui caminhando ao Paraguai. Fomos campeões!”, relembra.
Desde então, o torcedor virou quase uma lenda viva entre os fanáticos do clube de Avellaneda. Ele já viajou assim para ver o Racing em Fortaleza, Colômbia, Uruguai e até no Rio de Janeiro, na Recopa contra o Botafogo. “Dizem que sou o amuleto do Racing. Não sei se acredito, mas gosto de pensar que dou sorte”, brinca.
Apoio que atravessa rivalidades
Durante o trajeto, Alejo não caminha sozinho. Além dos seguidores que o acompanham virtualmente, ele recebe apoio de torcedores de todos os cantos, até mesmo dos rivais.
“Gente do Boca Juniors, do River Plate e até do Independiente já me ajudou! Isso é o mais louco. Mostra que o futebol pode unir, mesmo quem torce diferente”, conta.
O torcedor também revelou ter contato direto com integrantes do próprio Racing:
“Já conversei com Agustín Almendra, com o técnico Gustavo Costas, e até com Ignacio Rodríguez, que me ofereceu ajuda se eu precisasse. É emocionante saber que o clube reconhece o que faço.”
Olhar de quem respeita o rival
Apesar de toda a rivalidade continental, Alejo fala do Flamengo com respeito e admiração.
“É o maior clube do Brasil, com o melhor elenco e o melhor estádio do país, depois do Racing, claro!”, brinca.
Ele também deu seu palpite para a semifinal:
“Acho que vai ser 1 a 1 no Maracanã e 2 a 1 para o Racing em Avellaneda. Vai ser difícil, mas acredito muito na gente.”
Planos, riscos e o sonho de ‘aposentadoria’
Ciente dos perigos de uma jornada tão longa, Alejo afirma que está preparado e que já tem um plano para encerrar suas aventuras de fé futebolística.
“Se o Racing ganhar a Libertadores, vou para a Recopa e depois para o Mundial de Clubes a pé. Aí sim, quero me aposentar dessas caminhadas. É perigoso, mas vale a pena. E se passarmos do Flamengo, vou até Lima, sede da final, a pé também!”, revela.




