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Além do apito: árbitros brasileiros enfrentam jornada dupla para garantir sustento

Apesar da crescente visibilidade do futebol brasileiro e dos investimentos milionários nos clubes e campeonatos, há uma categoria fundamental para o espetáculo que ainda enfrenta dificuldades para viver exclusivamente da função: os árbitros. Longe da fama dos jogadores, muitos deles acumulam jornadas duplas, ou até triplas, para garantir o sustento de suas famílias.

Um exemplo emblemático é o de Davi Lacerda, árbitro acostumado a comandar partidas da primeira divisão do futebol nacional. Quando não está vestindo o uniforme da arbitragem, Lacerda troca o apito pelo computador, desempenhando a função de gerente em uma serralheria

Outro que concilia o amor pelo futebol com a necessidade de estabilidade financeira é Rodrigo Pereira de Lima, que atua como árbitro e, paralelamente, exercia a função de guarda civil municipal em Recife.

Realidade nacional

O cenário vivido por Davi e Rodrigo está longe de ser uma exceção. Apenas um número restrito de profissionais da elite do Campeonato Brasileiro consegue se dedicar exclusivamente à arbitragem, e mesmo esses, muitas vezes, enfrentam instabilidade financeira.

A remuneração por partida varia de acordo com a divisão e a função exercida (árbitro principal, assistente, VAR, etc.), podendo chegar até R$ 7 mil, mas ainda está longe de garantir uma renda mensal fixa e segura. Em divisões inferiores e estaduais, os valores pagos podem ser insuficientes até para cobrir deslocamentos e alimentação.

Falta de profissionalização

Um dos principais entraves é a ausência de um modelo de profissionalização da arbitragem no Brasil. Ao contrário de países como Inglaterra e Alemanha, onde os árbitros são contratados em regime de tempo integral pelas federações ou ligas, no Brasil a maioria atua como freelancer, ou seja, recebe apenas quando escalações ocorrem.

E para piorar a situação, árbitros afirmam que a CBF não dá o suporte necessário para a execução da profissão. Os treinos, capacitações e afins ficam por conta do profissional. De acordo com Rodrigo, a forma que ele tem de manter o ritmo é apitando pelada dos amigos e jogos amadores sem nenhuma remuneração.

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